quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Copa no RS fica reduzida a um Gre-Nal... Quem ganha??



         O Rio Grande do Sul é realmente um estado singular. Aqui, como em nenhum outro lugar do Brasil, paixões políticas e clubísticas impedem uma visão do todo, fazendo com que a rivalidade seja colocada à frente dos interesses dos gaúchos.
         Esse posicionamento já nos trouxe inúmeros prejuízos em todas as esferas. Enquanto aqui ficamos lamentando que o Nordeste recebe a maioria das verbas federais, nossos políticos preferem olhar para o próprio umbigo, esquecendo-se do que realmente importa: o Rio Grande.
        Agora, com o imbróglio que o Internacional se meteu na reforma de seu estádio, a disputa clubística voltou à tona. É o Gre-Nal dos estádios, já que em campo os dois clubes assistem Novo Hamburgo e Caxias fazer a final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho.
         Pra completar nossa megalomania – que já começa no nome, aqui tudo é grande... -, pensamos que somos o povo mais politizado, com os políticos e a Justiça mais honestos, como se não fizéssemos parte de um caldo de cultura que forma esse país tão heterogêneo, tão diferente e exótico ao mesmo tempo.
         A Copa está realmente ameaçada não apenas pela falta de assinatura do contrato entre a Andrade Gutierrez e o Inter, mas sobretudo pela falta de empenho de nossas lideranças, a qual já resultou na perda da Copa das Confederações. Enfim, neste episódio vivemos apenas mais um capítulo de nosso dia a dia, sempre envolto em disputas que não levam a nada, mas garantem que muitos sigam lucrando com uma rivalidade insana...
         Boa semana a todos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Presidência da República fica mais distante para José Serra

Dilema tucano: perto da Prefeitura, longe do Planalto

José Serra deu o sinal verde para o PSDB neste final de semana, colocando seu nome à disposição para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Com isso, o ex-governador adia (quem sabe sepulta) o sonho de chegar à Presidência da República pelos próximos seis anos.
Serra elegeu-se prefeito em 2004. Tomou posse no ano seguinte e, em 2006, renunciou para disputar e vencer a eleição para o governo do Estado, enquanto que Geraldo Alckmin concorria a presidente. Agora, se eleito, o tucano não poderá deixar a prefeitura novamente para concorrer ao governo do Estado ou à Presidência, pois ficará muito difícil explicar ao eleitor paulista uma nova desistência para buscar um cargo maior.
Outro agravante é que Alckmin certamente buscará a reeleição, cabendo a Aécio Neves a tarefa de enfrentar o PT na corrida presidencial. Para completar, em 2018 Serra terá 76 anos, ou seja, a idade irá pesar sobre seus ombros, tornando-o um candidato com pouca viabilidade na eleição.
Serra é um dos grandes quadros da política nacional. Júlio Redecker me disse certa vez que o tucano era o homem mais inteligente com quem havia tido contato. Clareza de raciocínio, visão de longo prazo, desenvolvimentista, honesto e competente eram alguns dos adjetivos que Redecker costuma usar para definir José Serra. Contudo, política tem fila. E a vez desse homem fantástico, que lutou contra a ditadura e construiu uma carreira pública brilhante, parece ter passado. Uma pena para o Brasil, e sobretudo para ele próprio.
Boa semana a todos.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney Houston - seu pior inimigo está dentro de você



Bons tempos: jovialidade e alegria


Mais de 400 prêmios, 170 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, dona de uma voz que era considerada patrimônio dos Estados Unidos, Whitney Houston, 48, morreu neste final de semana vítima de afogamento na banheira de um hotel, indicam as primeiras investigações da polícia, que encontrou água nos pulmões da cantora. Um laudo em 30 dias vai apontar se ela havia consumido drogas ou se uma overdose de medicamentos causou sua morte.
Apesar de todo o sucesso, a diva pop padecia de um mal que cada vez mais faz parte da vida de muitas pessoas: a falta de autocontrole, a qual apenas era externada em seu estilo de vida sem regras. Em uma entrevista, Whitney reconheceu que era sua pior inimiga, numa clara demonstração de que tinha plena consciência de seus problemas pessoais.
A cantora, assim como muitos, trocou a saúde pela chamada “busca pela felicidade” – para alguns, reconhecimento e grana. Tendo conquistado isso, a tal felicidade não chega e a droga e o álcool são caminhos que se oferecem fáceis no dia a dia, especialmente no show-biz.
Depois, imaginam poder entregar o dinheiro para voltarem a ter saúde. No caso de Whitney, já era tarde. A diva pop ainda tentava se recuperar das drogas quando buscou um retorno triunfal aos palcos, mas os estragos eram visíveis. Desafinando e sem conseguir chegar às notas mais altas, uma de suas marcas registradas, a estrela precisou cancelar apresentações em 2010.
Aquela que encantou o mundo com sua voz e contribuiu para popularizar a música negra em todo o planeta parecia estar longe da mulher que ganhou o estrelato aos 23 anos com seu primeiro disco.
A depressão profunda causada pelas drogas consumiram-na e a fizeram parte de uma maldição que acompanha as grandes estrelas: talento 100, equilíbrio zero. Como se vê, sem resolver essa equação interna, sucesso e dinheiro nada representam na vida de cada um. Como certa vez disse John Lennon em uma canção, “eu estive em todos os lugares, mas só me encontrei em mim mesmo”...
Boa semana a todos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Privatizações: cai o último dogma do PT



        O governo Dilma enterrou ontem o último dogma do PT na administração pública com a privatização de três aeroportos. O leilão rendeu R$ 24,5 bilhões e permitirá aos vencedores explorarem os terminais por até 30 anos, como foi o caso do aeroporto de Brasília.
Assim, resta muito pouco de ideologia para o partido que teve sua origem no sindicalismo e cresceu com o apoio de intelectuais e funcionários públicos. A crítica feroz ao “modus operandi” dos demais partidos ditos tradicionais ficou no passado.
Desde que Lula chegou à Presidência o PT tem feito tudo que mais abominava, como alianças espúrias, clientelismo e fisiologismo para se manter no poder. Lula perdeu uma chance histórica de varrer da política velhas raposas, como Jader Barbalho e José Sarney. Ao invés disso, preferiu capitular para abafar escândalos de corrupção, cujo ápice foi o Mensalão. Uma pena.
Agora, com a privatização, os petistas reconhecem com décadas de atraso a incompetência do Estado em gerir os terminais aeroportuários e a coisa pública como um todo. Mais do que a morte de velhas bandeiras, a medida é um sinal claro para a sociedade que as obras de modernização da infraestrutura do País precisam partir do setor privado.
A verdade é que Dilma e Lula optaram por seguir em frente, mesmo que isso implique na contrariedade de parte da militância com suas decisões.

Boa semana a todos.
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Onde falta a mão do Estado, a bandidagem agradece

AL da Bahia: policiais acampam há uma semana

A Bahia vive dias de tensão às vésperas do Carnaval, sua maior festa popular e responsável pela visita de milhares de turistas a cada fevereiro, com a greve de policiais militares no Estado. A paralisação provocou uma onda de saques e arrastões e sacudiu a boa terra, deixando um rastro de 84 mortes em seis dias.
É o caos na sua mais absurda versão, pois não estamos em guerra civil, pelo menos declarada. Isso ocorre toda vez que a mão do Estado fraqueja. É neste período que a bandidagem se refestela, agradece e coloca os homens e mulheres de bem contra a parede.
Amotinados na Assembleia Legislativa, os grevistas estão entrincheirados e se recusam a sair da dita casa do povo. O Legislativo, aliás, é sempre o espaço das manifestações e o local mais plural que a sociedade encontra, mesmo com todas as suas mazelas. Pergunto: alguém consegue imaginar todos esses policiais no átrio do Poder Judiciário, por exemplo? Ou acampados durante uma semana na ante-sala de um juiz? Difícil...
Bem, mas o governo baiano pediu ajuda ao governo Federal, que mandou a tropa de elite da PF para prender os grevistas, enquanto o exército patrulha os principais pontos turísticos de Salvador.
Não há como negar que os salários dos PM´s e de todas as forças de segurança são baixos, especialmente de quem faz o enfrentamento ao crime. No entanto, greve de policial sem um mínimo de efetivo nas ruas é um ato de crueldade com a população. Que o bom senso volte à Bahia, e que seja construída uma saída pacífica para esse impasse. Os baianos e o Brasil não merecem isso.
Boa semana a todos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cuba descobre que não há ideologia sem economia pujante

Carros da década de 50 já são marcas de Havana

              Passados mais de 50 anos desde que Fidel Castro e sua trupe derrubaram a ditadura de Fulgêncio Batista, Cuba descobre enfim que não há ideologia que resista a falta de uma economia pujante.
              Desde que a mesada mensal da extinta União Soviética minguou, o País vive dias de agrura. Racionamento é uma palavra presente no dia a dia cubano. As benesses da ilha são para os turistas que despejam dólares na economia e para os privilegiados dirigentes do Partido Comunista.
              O partidão, a propósito, encerrou no final de semana seu primeiro congresso desde 1965, quando aprovou maior abertura no regime comandado por Raúl Castro. O presidente/ditador que herdou a cadeira depois de Fidel se afastar por problemas de saúde, tem implementado mudanças, como a possibilidade de compra e venda de veículos, abertura de pequenos negócios, entre outras medidas para tentar aliviar a tensão social existente em Cuba.
              No fundo no fundo, tudo que o governo cubano tenta fazer é voltar a dar esperança a seu povo. A falta de perspectiva é o maior desafio que os dirigentes têm que enfrentar para salvar a revolução. E esperança se faz com emprego, com negócios, com uma economia forte, e não com palavras. A despeito de toda a retórica, Cuba está diante da crua realidade anunciada por Bill Clinton na campanha que o levou à Casa Branca, em 1992: “It´s the economy, stupid...”. Ou seja, se a economia vai bem, o governo vai bem. Do contrário, discursos soam como palavras vagas que se apresentam dissociadas da realidade...Exatamente como em Cuba nos dias de hoje.
Boa semana a todos.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A campanha já começou: organize-se!


Quem nunca concorreu a algum cargo público tem a impressão equivocada de que a campanha eleitoral acontece somente de julho a outubro. No entanto, o período que antecede o pleito é fundamental para o sucesso da eleição. Neste sentido, os candidatos já podem fazer os primeiros preparativos com vistas ao pleito.
Depois de ter o aval da família – se não tiver o apoio em casa, nem cogite de lançar seu nome a vereador, vice ou a prefeito, pois será impossível fazer campanha sem essa parceria -, comece a reunir a documentação necessária para o registro da candidatura.
Declaração de imposto de renda, por exemplo, é exigência do Tribunal Regional Eleitoral. Em março, inicia o período para ajustar as contas com o leão. Vá organizando os recibos de dedução e a declaração anterior para, assim que abrir o prazo para declarar, ser um dos primeiros a entregar o formulário eletrônico à Receita Federal. Com isso, caso aja algum problema na entrega, ganha-se tempo e agilidade.
Quem tem pendência judicial precisa resolvê-la antes do registro, impreterivelmente. Nestes seis meses que antecedem a eleição, é decisivo que a questão esteja resolvida, sob risco de não poder ser candidato. Outro ponto importante é a organização da vida pessoal e profissional.
É preciso ter em mente que uma campanha é algo caro e que exigirá tempo e dinheiro. Se você está endividado, não conte com a campanha para resolver seus problemas financeiros, pois o apoio é proporcional à viabilidade eleitoral. Aqueles que estão sem mandato largam em desvantagem, pois terão que bancar as despesas iniciais até que apareça algum aporte, seja do partido ou de financiadores.
Com a vida financeira organizada, faça um orçamento de campanha realista. Pense em que bairros precisará atuar para atingir o coeficiente eleitoral necessário para eleger-se, quantas pessoas será preciso contratar – não, ninguém faz campanha de graça....-, veículos necessários, gasolina, almoço, produção de materiais, custos com eventos, anúncios em jornais, carros de som, entre outras despesas. Fez o cálculo? Coloque agora mais 50% desse valor para extras, pois as despesas certamente irão extrapolar seu orçamento inicial.
Outra preparação que as pessoas esquecem é a parte física. Campanha eleitoral exige preparação física de maratonista. São poucas horas para descansar, rotina estafante, corpo a corpo com o eleitor, muita caminhada e stress constante. Ou seja, é preciso estar preparado para enfrentar essa “gincana”. Tudo isso sem ter a certeza de sucesso. E aí? Vai encarar?
Boa semana a todos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Governo Tarso coloca o bode na sala, mas retira rapidinho....

Odir Tonollier: muitas explicações

Durou menos de 24 horas a ameaça do governo de não pagar o piso nacional do magistério até 2014, conforme prometido na campanha eleitoral. Na parte da manhã o sincero secretário da Fazenda, Odir Tonollier, veio a público dar satisfações aos professores. Disse que para o governo o vilão do não pagamento da promessa eleitoral era o reajuste no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O reajuste previsto para 2012 no fundo é de 21,2%, o que, de acordo com a Fazenda, inviabiliza qualquer possibilidade de pagamento do piso à categoria.
        Na parte da tarde, porém, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, colocou panos quentes e desautorizou o colega, certamente com o aval do governador Tarso, que segue em férias em Cuba. Disse que não era bem assim e que o governo seguia determinado em pagar o piso, independentemente do reajuste do Fundeb.
        Traduzo o imbróglio: o governo colocou o bode na sala pra ver no que daria. Mas a grita do Cpergs foi grande, com grande repercussão nas escolas, pois estava se materializando naquele momento o primeiro estelionato eleitoral da atual administração. Com o impacto negativo, retirou o bode da sala e reafirma que segue correndo atrás da máquina para pagar o piso.
         Não é preciso ser gênio para constatar que todo governador que bateu de frente com o magistério não elegeu o sucessor e, mais tarde, com a reeleição, não esquentou na cadeira. Tarso sabe disso, o PT mais do que ninguém sabe disso. A leviandade eleitoral vai cobrar seu preço: seja do capital político do governador ou das combalidas finanças públicas do Estado.
Até semana que vem, amigos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

De volta ao passado ou um retorno às origens?


Cascata do Chuvisqueiro: patrimônio natural de Riozinho

           
            Depois de um breve recesso, estamos de volta ao trabalho. Neste final de semana, após mais de 25 anos, voltei a pilotar uma moto. Meu amigo Tadeu Magnabosco cedeu-me uma Honda 500 cc e peguei a estrada. 
       Fui a Riozinho, no Vale do Paranhana, conhecer a Cascata do Chuvisqueiro. Quem não conhece, não sabe o que está perdendo. O lugar é encantador, quer seja pela queda d´agua, quer seja pela imponência dos paredões de pedra e de toda a natureza ao redor.
            Impossível não perceber a presença de Deus naquele local, em cada pedra, nas árvores centenárias nas muitas trilhas do Chuvisqueiro ou do Conduto, outro espaço maravilhoso onde a beleza de Riozinho se manifesta em sua plenitude. 
           Além do encantamento dessa cidade charmosa do Vale do Paranhana, enfrentar o trânsito de moto foi algo desafiador. É sempre bom ir para o outro lado do balcão e ver como é estar em cima de duas rodas. O trânsito passa a ser bem diferente, tenha certeza. A parte boa é poder fugir do engarrafamento, sentir o vento batendo, a sensação de liberdade que o veículo proporciona. E ficamos por aí.
           Fora isso é stress constante em qualquer simples ultrapassagem, especialmente em vias que não são duplicadas, como em trechos da RS-239, por exemplo. Mas, pilotando de forma segura e entendendo o espaço que cada um ocupa na pista, tudo deu certo e pude lembrar de bons momentos de minha juventude, quando a moto era companheira constante em viagens e no trabalho. Um gosto de nostalgia sempre volta, porém, a certeza final é de que este tempo já passou e reviver o passado é um presente.
               Boa semana a todos e um ótimo 2012.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Futebol holandês ensina como tratar baderneiros

Jovem apanha e ficará 30 anos longe dos estádios
          
A Holanda, que em 1974 surpreendeu o mundo com o futebol total, voltou ontem a dar uma lição  de como se deve tratar baderneiros que pensam que podem fazer tudo em um estádio. A Justiça holandesa decidiu que o jovem de 20 anos que invadiu o campo para agredir o goleiro Esteban Alvarado, do AZ Alkmaar, em jogo com o Ajax, pela Copa da Holanda, na semana passada, ficará impedido de frequentar qualquer estádio por 30 anos.
A sentença completa a decisão desastrada do rapaz ao deixar a arquibancada e se dirigir ao gramado durante a partida, pois além de apanhar do goleiro adversário, só voltará a ver seu time jogar quando tiver 50 anos...
          Aqui no Brasil invasão é cena corriqueira e ainda há quem aplauda quando alguém consegue driblar a segurança e ingressar no campo de jogo. Não raro temos brigas com mortes entre facções das próprias torcidas e o máximo que acontece é a organizada ser extinta. Algum tempo depois esses marginais se reúnem para formar outro grupo e voltam a frequentar estádios como se nada tivesse ocorrido.
          Ora, por mais dura que possa parecer a decisão da Justiça holandesa, ela representa um alerta àqueles que pensam em gracinhas desse tipo em jogos internacionais que se avizinham, como a Copa do Mundo. Em eventos Fifa a tolerância é zero e o tratamento passa longe de ser carinhoso como se vê em estádios pelo brasileiros...
           Bom final de ano a todos. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Argentina arrasta Mercosul para sua luta inglória contra Inglaterra


          A última reunião da Cúpula do Mercosul, nesta terça-feira em Montevidéu, foi marcada por mais uma tonteria dos presidentes do bloco, que decidiram impedir a presença de barcos com bandeira das Ilhas Malvinas em seus portos. A decisão foi transmitida pelo presidente uruguaio, Jose Mujica, como se fosse um marco para a integração ou sinônimo de defesa dos interesses da região. Não é. É um equívoco sem tamanho, uma bobagem que trará sérios prejuízos em um futuro próximo.
          Explico: a decisão é nefasta sob todos os aspectos, pois chama os demais países para uma briga que não é deles, mas da Argentina com a Inglaterra ou com o Reino Unido, como queiram. A reação em Londres foi imediata. O Ministério das Relações Exteriores classificou como injustificável a medida além de "preocupante".
         Quando os ingleses dizem "preocupante", pode-se saber que vem retaliação à frente. O anúncio destemperado da Cúpula vem em péssimo momento, pois a União Europeia havia decidido retomar as negociações com o Mercosul para a criação de um acordo comercial mais abrangente. Com isso, tudo volta à estaca zero novamente.
         É o custo que o Mercosul terá que pagar para atender os interesses de uma pseudo esquerda que perdeu sua ideologia em algum lugar do passado, mas que tenta mostrar ao mundo que suas bandeiras ainda tremulam, ainda que atemporais e desbotadas pelo tempo...
         Boa semana a todos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Como combater a corrupção? Criando um novo órgão...


               O governo Tarso Genro anunciou a criação de um órgão específico para combater a corrupção no Estado. Tal como diz a propaganda oficial publicada em jornais de grande circulação, o Degecor - Departamento Estadual de Gestão do Conhecimento para Prevenção e Repressão à Corrupção -, terá como tarefa "colaborar com outras instituições no combate a diversos tipos de irregularidades" e integrará a estrutura da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
               A iniciativa foi lançada juntamente com o Pacto Republicano pela Promoção dos Direitos Humanos Fundamentais e Enfrentamento à Corrupção, na sexta-feira passada. O nome é grande, pomposo, bonito, a ideia é elogiável, mas convenhamos, não é preciso criar uma nova estrutura para fazer aquilo que é dever e obrigação de toda administração pública. Com isso, joga-se para a sociedade, aumenta-se a estrutura do Estado, que já é absurda, com resultados ainda incertos.
              No fim, é preciso fazer aquela pergunta básica: e quando for constatado algo no próprio governo, atingindo diretamente a companheirada? A resposta o futuro nos dará em breve, quando saberemos se a nova estrutura tem utilidade ou é apenas mais um órgão "para inglês ver"...
Boa semana a todos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mensalão, esquecer é um crime


            Neste Brasil cada dia mais amoral, onde os escândalos são parte da rotina, há uma campanha em curso para fazer com que o Mensalão caia no esquecimento ou seja tratado como algo menor. Alguns ainda querem fazer crer que o maior escândalo de nossa história contemporânea sequer existiu. Um escárnio com a verdade e, sobretudo, com as pessoas de bem deste País.
           Delúbio Soares, tesoureiro do PT e um dos arquitetos do esquema que comprava deputados e senadores em troca de apoio no Congresso para o governo Lula, chegou a declarar que o Mensalão ainda iria virar piada de salão, mesmo tendo sido comprovada a distribuição de R$ 60 milhões a parlamentares...
          Esta semana o Supremo Tribunal Federal admitiu que o caso pode ficar sem julgamento, tendo em vista que prescreve em abril de 2012. Era o que faltava para José Dirceu e os 40 ladrões denunciados pelo procurador Geral da República, em 2006, tentarem reescrever a história. Diante disso, cabe à sociedade demonstrar sua inconformidade com esse verdadeiro absurdo que está em curso no País. É o que faço no dia de hoje com este artigo.
          O fato é que Lula descobriu muito cedo que havia pelo menos 300 picaretas no Câmara. Logo que assumiu o governo, escalou José Dirceu para negociar com partidos e parlamentares. Pronto: em poucos meses o chefe da Casa Civil estava comprando o silêncio e a consciência de muita gente. Como nem tudo é perfeito, a turma brigou pelos motivos de sempre: a divisão do butim.
          A investigação na Câmara começou com a denúncia apresentada em um vídeo onde um diretor dos Correios, indicado pelo PTB, aparecia recebendo R$ 10 mil para facilitar a vida de uma empresa prestadora de serviços e que precisava renovar o contrato. Puxado o fio da meada pela CPI dos Correios, logo logo o escândalo bateu à ante-sala de Lula.
Roberto Jefferson mandou Zé Dirceu sair da cadeira rapidinho em uma das mais memoráveis sessões de uma CPI, precipitando a queda do todo poderoso homem do presidente, o cara a quem Lula se referia como “o capitão” do seu time.
         Na sequencia, Dirceu teve os direitos políticos cassados, mas seguiu mandando e operando nas sombras, indicando presidentes de estatais, ministros e sendo voz ativa no PT. Alguns poucos parlamentares renunciaram para não ter o mesmo destino, Lula disse que nada sabia, falou que se sentia traído, bla, bla, bla...E se reelegeu na esteira do crescimento econômico mundial, no qual o Brasil, um dos maiores fornecedores de matéria-prima, surfou na onda da globalização.
        Já que o Congresso estava no colarinho do governo, coube ao procurador da República fazer dele o que se espera: apresentar a denúncia ao STF. Aceita, os envolvidos trataram de usar os muitos artifícios que a lei permite e foram postergando o julgamento até que, bingo, o STF admitiu que não haverá prazo legal para analisar o caso...
        Pois bem: o Mensalão existiu. É um crime esquecê-lo. A Justiça e quem faz as leis deveriam ser os primeiros a saber disso.

Bom final de semana a todos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pará: vitória do bom senso derruba ideia de dididir estado

Plebiscito: população recolocou as coisas no lugar 


Por 66,08%, a idéia maluca de divisão do Pará, com a criação de mais dois Estados – Carajás e Tapajós, foi rejeitada pelos paraenses em plebiscito realizado neste domingo.
Se os deputados que aprovaram na Câmara o referendo não tiveram juízo, o povo restabeleceu a ordem das coisas ao dizer não a tamanho absurdo. Na consulta, os eleitores tiveram que opinar em relação à criação de cada Estado em separado. Se efetivada a criação das novas unidades, o Pará ficaria com 17 por cento do território atual e 64 por cento da população. Tradução, o osso ficaria com o Pará (pequeno território e maior parte da população), enquanto os espertos (novos governadores), aproveitariam o filé (pequena área e baixa população). 
Ora, criar mais estados está longe de ser a solução para resolver os problemas de Saúde, Educação, Transporte, Segurança, entre tantos outros, de uma das mais pobres unidades da Federação. Tudo que iria se conseguir com isso seria ordenar mais despesas com a construção de prédios, estruturas de governo, Legislativo e Judiciário extras. Uma verdadeira farra com o dinheiro público.
O próprio plebiscito já deu uma conta desnecessária e que será paga por todos os brasileiros: custou R$ 19 milhões essa brincadeira de mau gosto.
A tragédia poderia ser pior. Para implantação dos dois estados os custos estimados chegam a R$ 5 bi. Enfim, dos males o menor a partir da voz do povo.
Boa semana a todos.
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cerveja nos estádios: retrocesso em nome de interesses econômicos

Lei Geral da Copa pode mudar estatuto do torcedor

              Em nome da Copa 2014, está para ser aprovada no Congresso a mudança no Estatuto do Torcedor que permitirá a volta da cerveja aos estádios de futebol. Tanto a Fifa pressionou em favor da Budweiser, patrocinadora oficial do evento, que o governo brasileiro deve acabar cedendo. A medida é um atraso injustificável no combate à violência sob qualquer ponto de vista. Imaginem em dias de jogos, com milhões de visitantes, os problemas decorrentes dessa decisão. Assim, a bebedeira terá apoio oficial durante o maior evento esportivo do planeta, esquecendo-se os problemas que vêm na esteira do consumo da bebida.
            Aliás, está mais do que na hora de se iniciar uma campanha para restringir o uso de álcool, a exemplo do que já se faz com o cigarro. Há uma glamorização perigosa da bebida, em especial a cerveja. Como o técnico da Seleção Brasileira de Futebol ou jogadores do primeiro time fazem apologia e comerciais incentivando o consumo? Quem deveria prezar pela Saúde e dar bons exemplos para milhares de garotos em todo o País que sonham em jogar futebol é o primeiro a se vender por um gordo cachê. Lamentável e incoerente, pois depois esses mesmos meninos e jovens ouvirão que não devem beber, que precisam cuidar do corpo para terem bom desempenho dentro de campo, bla, bla, blá....
            É sabido que o álcool é a porta de entrada para drogas mais pesadas - aliás essa é uma droga extremamente perigosa. A poderosa indústria do álcool tem apoio oficial para se instalar e se expandir, esquecendo-se os malefícios causados especialmente à juventude. O alcoolismo é uma doença social e combatê-lo, alertando para seus riscos, é função primeira de todo governante e cidadão - jamais incentivá-lo. Seja durante a Copa ou não. 
           Bom dia, amigos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cpergs sai da briga menor do que entrou


Protesto na praça: sem apoio popular

            O Cpergs/Sindicato encerrou na sexta-feira a desastrada greve iniciada há 15 dias. Com cerca de 10% das escolas paralisadas, o protesto pela implantação imediata do piso do magistério e a suspensão do projeto que prevê mudanças no plano de carreira da categoria, atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa, não surtiu efeito.
            Por mais que a direção do sindicato diga que valeu a pena emparedar o govenador que ajudou a eleger para chamar a atenção do governo e sociedade sobre os problemas dos profissionais em Educação - que são de conhecimento de todos -, o fato é que o Cpergs se diminui ao jogar os professores em uma aventura cujo resultado já era previsto.
           A greve, instrumento legítimo e democrático, perdeu seu sentido quando foi feita restando três semanas para encerrar o calendário escolar no Estado. Pais, educadores e estudantes não comungaram da mesma ideia da direção da entidade, que ficou falando sozinha na Praça da Matriz, em um acampamento improvisado.
           Os dirigentes não levaram em conta o risco contido na velha máxima de que não se deve sair menor do que se entrou em uma briga. Restou o desgaste perante a sociedade e professores, que querem sim melhorias na Educação. Afinal, essa luta é e deve ser de todos, mas não pode ser instrumento político e trampolim para poucos.
           Boa semana a todos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Decisão exemplar contra a deslealdade

Tribunal corrige duplo erro da arbitragem

            O Tribunal da CBF determinou quatro jogos de suspensão para Bolívar, do Internacional, além de tempo idêntivo à recuperação do lateral Dodô, do Bahia, que rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo após jogada desleal do zagueiro colorado. O jogador deve voltar a jogar somente em maio de 2012.
            O julgamento corrige o duplo erro do árbitro Paulo César de Oliveira. Para ele, foi apenas jogo perigoso, quando o correto seria ter expulsado o capitão do Inter e marcado penalidade máxima a favor do Bahia. PC Oliveira deveria pegar o mesmo gancho, assim como o árbitro assistente que viu tudo e fez vistas grossas no lance.
            Claro que no Brasil do jeitinho ainda cabe recurso e o famoso "efeito suspensivo" deve voltar a falar mais alto, liberando Bolívar de atuar no ano que vem. A decisão deveria ser extendida a outras esferas, por exemplo: quem bebe e causa ferimentos graves em inocentes deveria, além multa pesada, ter a carteira cassada e o carro vendido pelo Estado para pagamento das despesas da vítima, ser impedido de trabalhar durante o tempo em que o acidentado estivesse em recuperação.
            Tenho certeza de que Bolívar vai pensar duas vezes antes de entrar da forma corriqueira como o faz em todos os jogos com a complacência dos árbitros. Ele não é o único, cabe dizer. É prática nas equipes ter um atleta que peite o apitador e adversários como forma de intimidá-los e "impor respeito". Assim como os valentões do trânsito, que confiam na impunidade para seguirem agindo com deslealdade em relação aos demais motoristas, o futebol reproduz nas quatros linhas o que se vê no dia a dia.
            Pelo menos, a medida exemplar do tribunal desportivo vai suscitar a discussão e ascender o sinal vermelho para quem não respeita colegas de profissão e as regras de convivência, seja no campo ou nas ruas da cidade.

            Boa semana a todos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A hora da verdade para a Zona do Euro

             A Agência Fitch, que classifica o risco de se investir em um País, rebaixou ontem a nota soberana de Portugal.  Os portugueses deixaram o grau BBB- para BB+, o que representa “grau especulativo” na linguagem do mercado.  Para piorar a situação, indicou que pode haver novas baixas em um futuro próximo.
             Tudo isso contribui para aumentar o grau de incerteza em relação ao futuro de Portugal e, por consequência, da União Europeia. Dia 9 de dezembro, a propósito, será uma data decisiva para o Velho Continente, quando acontece nova cúpula do bloco europeu.
           A reunião promete. Alemanha, França e Itália, as maiores economias, anunciaram que vão propor novo tratado na tentativa de estancar a crise e devolver parte da confiança aos mercados mundiais. No pacote estará explícito sanções mais duras para países que descumprirem as regras do bloco.
            O que os líderes querem dizer, especialmente França e Alemanha, é que não há mais como as grandes economias seguirem financiando a ineficiência e a falta de compromisso fiscal de países como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, sem falar da própria Itália que nos oito anos de gestão de Berlusconi esteve no limite da irresponsabilidade econômica.
           Sem ter como cortar juros e irrigar dinheiro para salvar empresas e vitaminar a economia do continente como feito em 2008, na crise financeira internacional, a Europa corre o risco de se desintegrar enquanto bloco econômico.
           A crise está longe do fim - os próprios europeus reconhecem isso. O FMI e o Banco Central Europeu já falam em “década perdida”, prevendo que o furacão pode se arrastar por muitos anos, com prejuízos incalculáveis para todos. Segurem-se nas cadeiras...
Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fogo amigo, o principal problema tucano


       Diz uma velha máxima da Comunicação que se a gente não consegue criar um fato positivo, que pelo menos não gere notícia ruim. Pois o PSDB segue comentendo esse erro básico e, mesmo com tantos escândalos no governo Federal, a oposição patina e não consegue se viabilizar como alternativa de poder. Os tempos têm sido difíceis, especialmente para o PSDB e o DEM. As duas siglas perderam discurso e filiados para o PSD, o partido de Kassab, recentemente.
       Mas o problema se complica quando o fogo amigo abate em pleno vôo qualquer tentativa de rearticulação nos grandes centros, como em São Paulo, por exemplo. No maior colégio eleitoral do País, o ex-prefeito e ex-governador José Serra deu entrevista afirmando que o melhor para o PSDB seria declarar apoio ao PSD em virtude da falta de viabilidade eleitoral.
       O surto de sinceridade de Serra pegou de surpresa o próprio partido, que reagiu. A direção estadual imediatamente emitiu nota desautorizando-o e afirmando que a candidatura própria é irreverssível, com ou sem densidade eleitoral dos pré-candidatos.
       O episódio apenas denota o racha que existe não apenas em São Paulo, mas na cúpula nacional pelo espólio do que restou da oposição ao PT no Brasil. A sigla segue dividida em muitas alas - FHC, Serra, Aécio, Alckmin, Tasso Jereissati. Como pano de fundo dessa luta fratricida está a eleição presidencial de 2014.  
       Contudo, erra o PSDB em antecipar o debate e erra duplamente ao expor suas mazelas e disputas regionais. Ninguém conseguirá se viabilizar nacionalmente ou agregar novos partidos para compor uma coligação capaz de enfrentar a máquina petista (leia-se de Lula) desarticulado e divivido. Lula enquanto isso vai tratando o câncer sem deixar de criar fatos políticos com a própria doença. E rindo da falta de habilidade da oposição em caminhar unida. Ou pelo menos de boca fechada....

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Magistério empareda Tarso

Governador na expectativa: Cpergs

               Na tarde desta sexta-feira o Centro de Professores do Estado reúne seus núcleos para decidir se fará greve a partir da semana que vem ou não. O indicativo tirado pelas coordenadorias é de que haverá paralisação, mesmo restando pouco mais de um mês para o final do ano letivo.
             Se a posição for ratificada pela assembleia, mais uma vez quem perde são os estudantes que se preparam para fazer vestibular em janeiro, bem como os milhares de alunos e pais que aguardam pelas férias. Sob todos os aspectos, não há justificativa para o magistério agir desta maneira a poucos dias do término do calendário escolar.
              No campo político, a decisão atinge diretamente o governo do Estado, pois o PT sempre afirmou ser possível o pagamento do piso nacional de quase R$ 1,5 mil, mesmo sabendo da combalida situação das finanças gaúchas. Tarso, com isso, vai cada vez mais ficando refém das corporações que ajudaram-no a chegar ao Palácio Piratini.
          Depois da Brigada Militar, Polícia Civil e delegados de Polícia, os professores emparedam o governador. Esse é o resultado de se fazer política a partir do corporativismo. No caso de Tarso, o corporativismo do funcionalismo público sempre fez parte do discurso e do modus operandi petista. No governo, diante da realidade, o governador vai ser obrigado a optar entre governar para a maioria ou atender as corporações. Até porque os recursos são escassos e não há espaço para seguir falando de falta de vontade política para atender a tantos problemas que batem à porta do palácio diariamente...
               Bom final de semana a todos.