Opostos: Dilma não gosta de
negociar, ao contrário de Lula
Dilma Roussef chegou à Presidência da República sem ter disputado qualquer cargo político anteriormente. Para muitas pessoas, isso não tem qualquer relevância mas, nas relações com o Congresso, esta carência se revela em sua plenitude.
Não é segredo para ninguém que a presidente nunca teve como objetivo concorrer, mas sim, apenas trabalhar nos bastidores. Técnica, demonstra no exercício da Presidência pouca paciência para receber partidos e políticos que, no final das contas, querem sempre tratar dos mesmos assuntos: mais cargos e liberação de emendas. Traduzindo para o bom português e indo direto ao assunto - o que eles querem mesmo é indicar seus apaniguados e colocar a mão na grana, pois não é segredo para ninguém - muito menos para Dilma -, que muitos parlamentares vendem emendas para suas bases.
O resultado dessa equação é que volta e meia há crise nas relações com os partidos. Esta semana Dilma trocou as lideranças do governo na Câmara Federal e no Senado para tentar melhorar sua articulação com a "base aninhada", digo, a base aliada. Não deu certo. O PR, de tantas e surradas maracutaias no Ministério dos Transportes, se rebelou porque não ganhou a direção do DNIT, o poderoso órgão que trata de construções de estradas e cujo orçamento é de cerca de R$ 20 bilhões/ano. Como não ganhou o que queria, anunciou que sua bancada de sete senadores estava indo para a oposição. O número de parlamentares pode parecer pouco, mas em votações decisivas torna-se o fiel da balança no Senado.
As queixas ainda seguem no PMDB e no próprio PT, descontentes com o tratamento recebido. A turma anda mal acostumada com o velho balcão de negócios de Brasília e que, durante os oito anos de governo Lula, funcionou nas 24h do dia, sem fechar em feriados ou finais de semana. Lula logo entendeu que era preciso entregar parte do governo aos picaretas e fechar os olhos para poder governar. Refém dos grandes partidos no escândalo do Mensalão, entregou os aneis na certeza de que havia espaço para todas as matizes e cores políticas em seu ministério.
Dilma, ao contrário de seu padrinho, demonstra total desapego à presença das lideranças políticas e de partidos à sua volta. Ter que recebê-los em audiência é um sacrifício, pois a cantilhena política cansa seus ouvidos. Ao mesmo tempo em que procura demonstrar luz própria e imprimir seu estilo de governar, a presidente tenta se libertar das velhas amarras construídas por Lula. A tarefa não é fácil, pois a classe política costuma olhar mais para seu umbigo em detrimento aos interesses do País.
Bom final de semana a todos!
Bom final de semana a todos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário