sábado, 30 de junho de 2012

Golpe no Paraguai ou Golpe CONTRA o Paraguai??

Lugo deixa a Presidência e monta governo paralelo inócuo

        A esquerda brasileira tenta novamente confundir a opinião pública ao buscar provar e convencer a todos de que houve um golpe político no Paraguai. Mais: alguns pilantras da verdade ainda se esforçam em comparar o impeachment de Fernando Lugo a outros golpes ocorridos em décadas passadas no Continente, como se existisse parâmetro para tamanha tonteria.
        Na verdade, há muito mais em jogo nesta história, a começar pela vingança de Hugo Chavez, o ditador disfarçado de presidente da Venezuela. Chavez nunca engoliu o fato de o Congresso paraguaio ser o único parlamento do Mercosul a não aprovar o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco. Isso porque o Mercosul tem entre suas regras a cláusula democrática. O que significa isso? Significa que, para um país fazer parte desse mercado, as instituições democráticas precisam ser respeitadas, o que não ocorre na Venezuela desde que ele ascendeu ao poder, há 12 anos.
        E aqui no Brasil, por ser amigo de Lula e Dilma, Fernando Lugo, que nem chegou a exibir uma reação e deixou o poder assim que o Congresso o afastou por 39 votos a quatro, encontra eco às bobagens de Chavez e de uma esquerda ultrapassada e carcomida.
        Lugo foi afastado unicamente por incompetência absoluta. Ao longo de seu mandato, o ex-bispo da Igreja Católica precisou reconhecer a existência de três filhos com mulheres diferentes quando ainda era bispo em Assuncion. Na Presidência, fez um governo pífio, depois de vender ilusão durante uma campanha eleitoral em que prometeu o céu ao povo paraguaio.
        E o Brasil, mais uma vez, embarca na canoa furada de Chavez e da Argentina, tentando nos fazer crer que houve golpe parlamentar. Pior: aprova uma resolução suspendendo o Paraguai do Mercosul até que sejam realizadas novas eleições. E pior ainda: na primeira reunião do bloco qual a primeira proposta a ser apresentada?? Ganha um doce quem apostou que seria a inclusão da Venezuela como membro pleno do Mercosul.
        No fim das contas, que é o que conta, Brasil, Argentina e Venezuela se uniram para dar um novo golpe em um país miserável, exatamente como foi feito há mais de um século em uma guerra que dividiu as riquezas paraguaias e aniquilou as chances de futuro de uma nação vizinha.
       Pobre Paraguai. Pobre Mercosul. Pobre Brasil, entregue à própria sorte e sendo comandado por ineptos que seguem com velhas ideias derrubadas há mais de 20 anos e cujo ápice foi o Muro de Berlim.
        Boa semana a todos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lula e Maluf...E Erundina pede pra sair...

            Foi demais para Luiza Erundina a união sem o seu conhecimento entre Lula e Paulo Maluf para a  Prefeitura de São Paulo. Ontem, a ex-prefeita anunciou sua saída da chapa com Fernando Haddad, pupilo de Lula e pelo qual o ex-presidente tem feito o inimaginável para tentar emplacar sua candidatura. Posar para fotos e chamar Maluf de companheiro foi parte do roteiro desta tortuosa caminhada. Com o apoio, Haddad ganha um acréscimo de 1 minuto e 35 segundos no tempo de TV. Para Lula, isso é que conta, no fim das contas...
          Primeiro Lula encarou o PT e disse que Marta Suplicy, candidata natural, estava fora do páreo. Em protesto, a senadora sequer foi à convenção realizada no início de junho. Enquanto Lula carregava o poste pela capital paulista (Haddad), foi correr atrás de apoio para enfrentar José Serra. O último foi Maluf, o mesmo que ele outrora chamou de corrupto e outros impropérios mais. Maluf, se alguém lembra, disse que Lula era tão desqualificado para a Presidência que sequer sabia a diferença entre uma fatura e uma duplicata...
         Os anos passaram e os adversários do passado se tornam, em 2012, os aliados de ocasião. Lula, Maluf e muita gente pensa que o eleitor tem memória curta ou que os fins justificam os meios. Parece que ainda há quem discorde. E Luiza Erundina, para espanto geral de muitos, parece ser uma destas pessoas.
          Bom dia a todos.
                  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Dinheiro e amor, os motivos que levam alguém a matar

                                                       Agência Estado
Advogada chega para prestar depoimento à polícia

      A elucidação de um crime passional sacudiu São Paulo nesta quarta-feira, quando a advogada Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38, confessou à polícia ter matado e esquartejado o marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, 42, diretor da Yoki Alimentos, uma das maiores empresas do setor. O industrial estava desaparecido desde 20 de maio.  
       Jovem, rica, morando em uma cobertura em área nobre da capital paulista, com um filho de apenas dois anos, Elize perdeu a cabeça quando soube que o marido tinha outro relacionamento. O resultado foi um crime hediondo que chocou a opinião pública.
        São apenas dois os motivos que levam alguém a cometer um ato tresloucado como este: amor ou dinheiro. Se formos analisar todas as circunstâncias, independentemente de classe social e em qualquer parte do mundo, nenhum crime ocorre fora deste binômio.
         O ser humano mata porque perdeu um amor ou tem ciúmes ou, ainda, por questão financeira e/ou econômica. Quando alguém resolve delatar outra pessoa, como tantas vezes ocorre na política brasileira, é porque a partilha do butim não foi a combinada. E então, insanamente, a solução que se apresenta quando se está fora do eixo é uma arma. Exatamente como fez Elize, mesmo que seu semblante demonstre agora todo seu arrependimento e nem ela própria se reconheça em si mesmo.
         Bom feriado a todos!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Lula se superou. De novo....

Polêmica: quem está mentindo?

          Lula, que disse que não sabia do Mensalão e se sentiu traído quando soube que José Dirceu comprava os votos de parlamentares em troca de apoio para seu governo no Congresso durante seu primeiro mandato na Presidência, se superou ao procurar o ministro do STF, Gilmar Mendes, e seu ex-ministro e ex-presidente do STF, Nelson Jobim, para tratar do maior escândalo da história brasileira.
         De acordo com a denúncia, Lula teria pedido que o caso não fosse a julgamento em 2012. A intenção, segundo Mendes, era para que fosse adiado para o ano que vem, quando serão nomeados mais dois ministros ligados ao PT.
        Diante da reação da opinião pública, Lula e Jobim, claro, negaram peremptoriamente. Mas convenhamos, que tipo de conversa e o que motivaria Lula a solicitar um encontro com um representante da Suprema Corte do País antes de uma decisão tão importante para a sociedade brasileira? Certamente não era para debater amenidades ou para tomar um cafezinho em meio à tarde modorrenta de Brasília...
         Pelo currículo e passado recentes, nada me leva a crer que Gilmar Mendes tenha mentido à Veja ao fazer a denúncia de que o ex-presidente o procurara para tratar do adiamento do julgamento do Mensalão. Já sobre os demais participantes da reunião, não se pode dizer o mesmo tantas foram as vezes que falaram uma coisa e fizeram outra...
         De qualquer forma, a história soa como uma bofetada à opinião pública. E Lula, como se vê, pensa estar acima do bem e do mal. Até mesmo do bom senso e da Justiça. Lamentável. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

CPI ou ação entre amigos??

            

             A CPI do Cachoeira, que já havia nascido com jeito e cheiro de pizza, acabou de ser enterrada nesta quinta-feira (17.05) quando o ex-líder do governo na Câmara, deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi flagrado enviando uma mensagem de texto pelo celular para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. 
            Vaccarezza tranquiliza Cabral e não deixa dúvidas de que já está tudo certo para que a investigação não avance sobre o governador carioca. Escreveu o petista: "A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu".
             Em sua página na internet (www.vacarezza.com.br), o deputado escreveu em 15 de maio um artigo intitulado "O que esperamos da CPMI". No texto, Vacarezza diz: "A CPMI do Cachoeira inova ao envolver personagens centrais da oposição ao governo. Mas nem por isso foge à regra. Carrega ingredientes de desestabilização que precisam ser evitados em defesa da harmonia das instituições e da preservação do próprio papel fiscalizatório e de mediação dos conflitos do Poder Legislativo."
              Muito provavelmente, o parlamentar se referia, ainda que de maneira inconfessável, que o que era preciso evitar era a convocação dos amigos. A ação de Vacarezza apenas corrobora para que a sociedade e a Imprensa olhem com desconfiança a cada vez que o Congresso cria uma comissão parlamentar de inquérito. Antes do relatório final sabe-se com antecedência que o único objetivo é criar palanque eleitoral, buscar os holofotes da mídia e fazer de conta que a investigação avança, quando na verdade, no fim das contas, o que conta é a preservação do status quo. Neste contexto, vale tudo. Inclusive fazer de uma CPI uma ação entre amigos.
             Bom final de semana, pessoal!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Rio que teima em ser Grande



             Desde pequeno ouço que o Rio Grande do Sul é o melhor lugar para se viver, que aqui tudo é bom, passando por nossos políticos e chegando a nosso Judiciário. Somos os mais éticos, os mais politizados, os mais honestos, enfim, praticamente o centro do universo. A cada 20 de setembro celebramos nossas façanhas e exigimos que elas sirvam de modelo à toda terra. Nos orgulhamos de promover um regionalismo que não nos leva a nada, a não ser ficarmos mais isolados em relação ao restante do País.
             Em meio a esse narcisismo coletivo, não percebemos que a cada gestão o Rio Grande se apequena. Sei que muitos irão discordar, soltarão o verbo contra mim, mas me cansa o fato de vivermos nessa eterna grenalização sem qualquer resultado prático. Aqui não há imparcialidade - "ou tu está comigo ou contra mim". Essa é outra de nossas frases maravilhosas...
             A Copa do Mundo é apenas mais um exemplo de como conseguimos perder o trem da história. Enquanto outras unidades da Federação recebem investimentos em infraestrutura para receber os jogos, no Rio Grande a paralisia é geral. O Aeroporto Salgado Filho sequer tem instrumento para operar em dias de neblina, apesar de ter sido anunciado sua compra em 2009. Nesta quarta-feiras pousos e decolagens foram suspensos por mais de cinco horas em virtude do nevoeiro. Como estamos no outono, podemos prever como será com a chegada do inverno para aqueles que ousarem passear nas férias ou estiverem a trabalho, vindo ou saindo da Capital dos gaúchos...
            Metrô em Porto Alegre, que antes estava anunciado para ser concluído em 2018, está suspenso pois sequer há consenso sobre o projeto. Obras importantes, como o Cais do Porto, dormem em gavetas de repartições, enquanto em outros locais, como em Puerto Madero, em Buenos Aires, o rio é parte da paisagem de uma cidade que compreende sua importância para seu desenvolvimento e para o turismo.
Enfim, tenho certeza de que alguém ganha com tudo isso, enquanto o Rio teima em ser Grande.... Uma pena que não sejam os gaúchos...
            Boa semana a todos.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Até breve, meu pai herói

Sério e simpático: Pedro Pinto Selbach

        Meu pai era o maioral; meu pai era um cara legal. Digo isso não apenas como filho, mas pela história que Pedro Pinto Selbach construiu em 80 anos de vida.
      Chegou ao Vale dos Sinos há 74 anos somente com a roupa do corpo, tentando fugir de uma vida difícil que se desenhava para a família Selbach em Santa Maria. O caçula do seu Arthur e da dona Vitalina tinha a cabeça cheia de sonhos e muitos planos. Como ninguém, sabia que só era possível vencer pelo trabalho. E ele trabalhou como ninguém.
       Aos 12 anos já era funcionário da Aços Plang, uma siderúrgica no Centro de Novo Hamburgo. Morava no Travessão, em Dois  Irmãos, ou seja, distante 10 quilômetros da empresa...
      Fazia o percurso de tamanco, a pé, todos os dias. Para chegar no horário, deixava a casa dos pais às 4h da manhã. O salário era pouco e ele logo percebeu que era preciso melhorar os rendimentos para poder ajudar ainda mais em casa. Arrumou serviço depois da hora: limpar os banheiros da empresa... Fazia isso como se o patrão tivesse lhe dado um bônus, afinal, era uma oportunidade de ganhar mais que estava recebendo...
     Depois de uma rotina de mais de 12 horas de trabalho exaustivo, lá voltava ele para o Travessão, chegando em casa tarde da noite. Com o tempo, percebeu que era preciso pensar no futuro e investir. Comprou um terreno na Vila Dihel. Na minha infância, nunca consegui entender porque nossa casa era enveazada. Anos mais tarde meu pai me explicou: ele havia comprado um barranco... E depois do serviço, retirava a terra em um carrinho de mão para aumentar a área útil no imóvel...
      E assim, à sua maneira e com o apoio de minha mãe e de minha tia Helena, o seu Pedro foi tendo sua família. Criou seis filhos, deu educação e exemplos diários para todos.

- Vocês têm que economizar 30% do salário bruto para poder investir e formar um patrimônio...

- Nunca envergonhem o nome da família....

- Saber não ocupa espaço... Estudem para ter o futuro que eu não pude ter porque tive que trabalhar....

- Ninguém vai construir estabilidade gastando mais do que arracada, seja o governo ou a família de vocês....

        Na hora da dificuldade, dizia sempre:

- Força e coragem....O resto é bobagem....

        Na carona, em um cruzamento como caroneiro, avisava:

- Pare, olhe, escute...recordando-se certamente de seu período em Santa Maria, onde os trens fizeram parte de sua infância...

      Quando chegávamos em sua casa, mesmo com a doença comprometendo sua saúde, repetia para todos:

- O velho caminhando, tá tudo bem. Eu sou um sujeito feliz. Tenho a família ao meu lado. E isso não é pouca coisa....

       Ao meio-dia, gritava para a mãe:
- Adir, trás a panca...

       E lá ia a Adir levar o almoço. Primeiro o feijão, que era cuidadosamente amassado. Depois, devolvia o prato para ser completado com arroz, batata, carne, salada.... Se alguém deixasse no prato, dizia:

- Deixa que o velho arremata. Comida a gente não põe fora...

       Na hora do banho, outra ordem:
- Adir, a toalha...Minha roupa.....

       E lá ia a Adir cumprir as determinações...

     À noite, escovava os dentes caminhando pela casa e falando com todos.... Esse hábito foi compartilhado pelos filhos, e muitos o repetem até hoje, inclusive netos... E assim os anos foram se passando. Colocou um pequeno armazém na Vila Dihel em uma época em que mini-mercado era coisa de cidade grande. Com sua simpatia e humildade, conquistou o bairro inteiro e prosperou. Trabalhava de domingo a domingo, das 6h da manhã até o último cliente aparecer, o que podia se estender além das 22h.
       Nos anos 70, um dos poucos prazeres que admitia para si mesmo era ir a Porto Alegre em dias de jogos importantes de seu Internacional. O Colorado era uma das paixões do Foguinho... E nestes dias especiais, saía cedo de casa em direção ao Beira-Rio. Voltava tarde, cheio de histórias para nos contar.

- Nenê, Alemão, dizia para mim e meu irmão Artur, o Figueiroa fez um golaço hj. Que zagueiro....O Valdomiro cruzou da direita e ele subiu lá em cima, deu um testaço pra baixo...sem chances para o goleiro do Cruzeiro.... Ele subiu mais de um metro de altura, é incrível a impulsão dele...e o Manga, então.... Que goleiro...Que goleiro....Fez cada defesa...Segurou um chute do Nelinho com quatro dedos quebrados....
      As histórias eram repetidas e, não raro, pedíamos para ele contar de novo como o Figueiroa subia, como o Manga defendia e como o Falcão jogava de cabeça erguida, a bola colada ao pé...uma elegância só....
       Sua simpatia fazia com que, em dias de Gre-nal, as pessoas deixassem suas casas para irem ouvir o jogo no rádio em seu armazém. A venda do Pedrinho ficava lotada e ele vendia muita cerveja.
     Meu pai era um grande motorista também. Certa vez ele e seu inseparável amigo Elemar Eltz ficaram sem freios na descida da Pedreira, em um caminhão lotado de pedras. Ele veio costeando o veículo contra o barranco, fazendo com que a velocidade diminuísse, ao mesmo tempo em que ia usando o freio do motor, até o carro parar. E assim os dois se salvaram sem que outros se ferissem.
        Incrivelmente, ele acreditava que eu era um grande motorista. O que ele não sabia era que desde pequeno eu procurava imitar seus movimentos. Íamos de Rural para a praia e ficava concentrado, observando os movimentos dos pés, o jeito que ele segurava a direção e fazia o difícil parecer tão fácil...
        Com os anos e a chegada dos netos ele foi se tornando mais doce, mais tolerante e ainda mais querido com todos. Os filhos, os netos, a família como um todo, eram sua preocupação. Queria a união de todos e trabalhou incansavelmente para isso durante toda sua vida.
        Também nunca consegui entender como ele nunca teve uma conta em banco ou cartão de crédito...
- Isso é só pra gente se endividar, Mário....
       Igualmente, nunca consegui entender como sempre tinha dinheiro em casa ou nos próprios bolsos. Em dificuldade, sabíamos que na mala preta do velho sempre haveria, pelo menos, R$ 500,00...
       Me recordo de outra frase clássica que repetia para todos os seus amigos no balcão do armazém:

- Vocês vão morrer, eu vou viver pra sempre...
       Da maneira dele, fazendo pilhéria de uma situação tão embaraçosa, estava certo: a morte é apenas uma passagem e ele seguirá vivendo para sempre em cada um que teve contato com ele, em especial nos amigos e familiares que o amavam incondicionalmente.

         Tenho certeza de que se pudesse dizer algo neste momento diria:
- Helena, minha parceira, irmã amada: obrigado por tudo, pela dedicação, companheirismo e amizade. 

- Adir, obrigado pela panca, pelos nossos filhos e pelo amor ao longo de 53 anos de casados. A morte não nos separou, até breve.

- Meus filhos amados: Artur, meu baita macho, Chico, meu mais velho, Mário, meu jornalista, Nena, minha filha querida, Ana, minha médica e filha amada, Fofa, minha caçula abençoada, meus netos queridos – Cássio, minha cópia, Rafa, meu preto, Fran, minha primeira neta e nossa preta amada, Carol, minha lindinha, Marina, minha princesinha, Mona, meu anjinho, o velho está bem. Quero que vocês também estejam bem. Cuidem-se e amem-se uns aos outros. Minha jornada chegou ao fim, mas este não é o fim. É um recomeço, uma nova fase, uma passagem até que todos nos reencontremos novamente.
      Vai em paz meu pai, vai em paz meu ídolo. Teus ensinamentos continuarão conosco, tua vida seguirá em nossas vidas. Tu construiu tudo isso, és o grande arquiteto e artífice dessa família, a luz que seguirá iluminando nossos passos.

          Com amor, família Selbach.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dilma abre o cofre para evitar o pior

Presidente tenta fazer com que a economia não pare

          A presidente Dilma anunciou ontem uma série de medidas para beneficiar o setor produtivo. No pacote, R$ 60 bilhões para atender 15 setores na tentativa de garantir maior competitividade às empresas brasileiras. Tudo para evitar que o País pare e os reflexos da crise na Europa e Estados Unidos sejam ainda piores para o Brasil.
         Depois do PIB de 2,75% de 2011, quando a economia literalmente subiu no telhado, acendeu a luz amarela no governo. Antes, a presidente já havia reduzido o IPI de móveis e outros produtos, além de ter estendido a redução do imposto para a linha branca até a metade do ano. O remédio de Dilma, no entanto, pode não ter os resultados esperados, já que o espaço para endividamento das famílias brasileiras é reduzido neste momento.
         O crédito farto do governo Lula e as condições favoráveis para compra causaram profundo impacto na vida do brasileiro. As pessoas se deslumbraram e carros foram vendidos em até 96 meses. A construção civil também explodiu, com novos financiamentos variando entre 25 e 30 anos. Resultado: as famílias não estão comprando porque não querem, mas porque simplesmente não têm mais capacidade de pagamento a médio e curto prazo. 
         Dia desses, em conversa com um grande empresário que atua na área de transportes, ele me disse que desde setembro do ano passado houve drástica redução nos pedidos de novos caminhões junto às montadoras. Segundo ele, este é o primeiro sinal de que a economia está parando, pois os transportadores não estão renovando a frota ou adquirindo novos veículos em virtude de a demanda ter diminuído substancialmente.
          E Dilma, mais do que ninguém, sabe que enquanto a roda da economia estiver girando, a sensação de bem estar social permanece. Afinal, "é a economia estúpido", como diria Bill Clinton, que manda na política. Aqui e em qualquer parte do mundo.
Boa Páscoa a todos!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre ligações perigosas e morte em vida de um senador

Nas cordas: parlamentar tenta explicar o inexplicável

         Um dos maiores expoentes da Oposição, o senador Demóstenes Torres caiu em desgraça depois que foram reveladas suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O parlamentar admite que recebeu do amigo um telefone especial para conversar com ele. São essas conversas que a investigação policial gravou cerca de 300 vezes nos últimos oito meses. Muitas delas comprometedoras e que revelam uma amizade próxima demais com um contraventor.
        Para completar, o senador tamém ganhou de Cachoeira um fogão e uma geladeira. Os mimos foram oferecidos pelo bicheiro no casamento de Demóstenes, no ano passado. Ontem, no Senado, Torres admitiu a pessoas próximas que "está morto" politicamente, mas que não vai renunciar nem se licenciar do cargo, como revela a Folha de S. Paulo desta quinta-feira.
         Combativo ao PT durante nove anos, o senador colecionou inimigos ao longo deste período ao denunciar os descalabros do governo. Agora, aqueles que antes Demóstenes acusava apontam-no o dedo, pedem novas diligências, prometem levá-lo ao Conselho de Ética e buscam fustigá-lo ainda mais.
        Apesar de ter iniciado um novo mandato há pouco mais de um ano, Demóstenes está acabado e, a partir de agora, passa a ser mais um zumbi em Brasília. Ninguém mais quererá saber de seus projetos. Quando a imprensa se aproximar será apenas para perguntar de Carlinhos Cachoeira ou se irá renunciar. E, se o temporal passar, sempre haverá alguém para recorda a história na mídia, muitas vezes dentro de seu próprio partido.
       É a política reafirmando a velha máxima bíblica: diga-me com quem andas que te direi quem és. Ao associar seu nome a alguém cuja conduta não seja a mais recomendável é preciso levar em conta que, mais dia menos dia, esse amigo trará problemas. É questão de tempo para explicar o inexplicável... Seja para a família e amigos, seja para os eleitores ou a opinião pública.
       Bom final de semana a todos!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Uma cartilha para a Geração Z


           O Colégio Farroupilha, de Porto Alegre, comemorou esta semana 126 anos. Para marcar a data, apresentou uma série de mudanças em seu site e publicou uma cartilha para seus alunos voltada às redes sociais. 
           A iniciativa é louvável sob todos os aspectos, mas fundamentalmente, porque alerta para os perigos implícitos na internet e, de modo especial, nas redes sociais. Além disso, dá dicas para a gurizada, a chamada Geração Z, essa turma que nasceu nos anos 2000 e sabe tudo de computadores, games e novidades da tecnologia, mas conhece muito pouco sobre como se portar na rede mundial.
          É a escola contribuindo com os pais (ah, os pais! Sempre correndo e sem tempo para ver o que seus pupilos acessam, compartilham ou fazem...), mais uma vez. Há muito tempo que alerto, seja em palestras ou em contato com as pessoas, dos perigos que chegam diariamente pelo computador.
          Fico apavorado em ver pessoas publicando fotos de seus carros, casas, interiores de suas residências e locais frequentados. Ao fazerem isso, ignoram que estão passando informações valiosas a bandidos - sim, eles também monitoram as redes sociais... -, além de se exporem para pessoas que não merecem fazer parte de suas vidas.
          Ah! Em tempo: a cartilha também dá dicas para a galera de como se portar na rede e como cuidar de sua imagem virtual. E, como se sabe, imagem é tudo nos dias de hoje.
          Bom resto de semana a todos.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Estilo Dilma rejeita partidos e políticos

Opostos: Dilma não gosta de
 negociar, ao contrário de Lula
      

           Dilma Roussef chegou à Presidência da República sem ter disputado qualquer cargo político anteriormente. Para muitas pessoas, isso não tem qualquer relevância mas, nas relações com o Congresso, esta carência se revela em sua plenitude.
           Não é segredo para ninguém que a presidente nunca teve como objetivo concorrer, mas sim, apenas trabalhar nos bastidores. Técnica, demonstra no exercício da Presidência pouca paciência para receber partidos e políticos que, no final das contas, querem sempre tratar dos mesmos assuntos: mais cargos e liberação de emendas. Traduzindo para o bom português e indo direto ao assunto - o que eles querem mesmo é indicar seus apaniguados e colocar a mão na grana, pois não é segredo para ninguém - muito menos para Dilma -, que muitos parlamentares vendem emendas para suas bases.
          O resultado dessa equação é que volta e meia há crise nas relações com os partidos. Esta semana Dilma trocou as lideranças do governo na Câmara Federal e no Senado para tentar melhorar sua articulação com a "base aninhada", digo, a base aliada. Não deu certo. O PR, de tantas e surradas maracutaias no Ministério dos Transportes, se rebelou porque não ganhou a direção do DNIT, o poderoso órgão que trata de construções de estradas e cujo orçamento é de cerca de R$ 20 bilhões/ano. Como não ganhou o que queria, anunciou que sua bancada de sete senadores estava indo para a oposição. O número de parlamentares pode parecer pouco, mas em votações decisivas torna-se o fiel da balança no Senado.
          As queixas ainda seguem no PMDB e no próprio PT, descontentes com o tratamento recebido. A turma anda mal acostumada com o velho balcão de negócios de Brasília e que, durante os oito anos de governo Lula, funcionou nas 24h do dia, sem fechar em feriados ou finais de semana. Lula logo entendeu que era preciso entregar parte do governo aos picaretas e fechar os olhos para poder governar. Refém dos grandes partidos no escândalo do Mensalão, entregou os aneis na certeza de que havia espaço para todas as matizes e cores políticas em seu ministério.
         Dilma, ao contrário de seu padrinho, demonstra total desapego à presença das lideranças políticas e de partidos à sua volta. Ter que recebê-los em audiência é um sacrifício, pois a cantilhena política cansa seus ouvidos. Ao mesmo tempo em que procura demonstrar luz própria e imprimir seu estilo de governar, a presidente tenta se libertar das velhas amarras construídas por Lula. A tarefa não é fácil, pois a classe política costuma olhar mais para seu umbigo em detrimento aos interesses do País.
Bom final de semana a todos!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cai Ricardo Teixeira....e a CBF muda não mudando....

                                                                                                Foto Reuters
Marin: o homem gosta de medalhas

            Ricardo Teixeira não é mais o todo-poderoso na Confederação Brasileira de Futebol. Pelo menos legalmente... O ex-presidente renunciou nesta segunda-feira ao cargo depois de 23 anos de reinado absoluto, indicado pelo sogro, João Havelange.
            Abatido pelas inúmeras denúncias de enriquecimento ilícito, favorecimento, corrupção e toda ordem de ilegalidades, Teixeira deixa em seu lugar seu preposto e vice-presidente, José Maria Marin. Com isso a CBF muda não mudando, pois nos bastidores Teixeira seguirá dando as cartas.
            O novo presidente da entidade ficou famoso nacionalmente na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano durante a cerimônia de entrega das premiações. Marin embolsou uma das medalhas sem o menor constrangimento, apesar da presença da Imprensa no local e de ter sido filmado pilhando a honraria destinada aos campeões.
            Se um cidadão faz isso com uma simples medalha, podemos esperar pouco de sua administração até 2015 - período em que encerra o mandato da atual gestão. Para completar, José Maria Marin assume por tabela a Presidência do Comitê Organizador Local da Copa 2014. Ou seja, será nosso representante junto à Fifa. Tradução: podemos aguardar novos embaraços para o Brasil até lá, pois José Marin reconduziu todos os vice-presidentes aos seus cargos, mantendo assim a mesma estrutura viciada de Teixeira.
           A propósito: faz tempo que o futebol brasileiro está precisando de uma faxina. Desde que o esporte passou a mexer com cifras bilionárias há pouca transparência e muita maracutaia em todos os níveis - começando pela Fifa e chegando até a maioria dos clubes. Só não ver quem não quer...
Boa semana a todos!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Inter e Andrade Gutierrez colocaram o bode na sala...e a reforma vai sair...

Contrato será assinado na próxima semana

           A direção do Sport Club Internacional e a construtora Andrade Gutierrez colocaram o bode na sala na semana passada, fazendo do impasse na reforma do Beira-Rio o centro das discussões. O tema se transformou em um Gre-Nal no Estado, com opiniões apaixonadas de lado a lado, enquanto que, nos bastidores, se construía as condições para que o BNDES desse o aval para o financiamento da obra.
          Deu certo. Depois do "susto" e da "reprimenda" da presidente Dilma, tudo ficou acertado e o que antes era uma ameaça agora se transforma em alegria de lado a lado. De parte do Inter, que tem a garantia de sediar a Copa no Rio Grande do Sul; de parte da construtora, que conseguiu o que queria: financiamento público para tocar mais um projeto privado.
          No mundo dos negócios e na política, "colocar o bode na sala" é um expediente corriqueiro. As partes combinam entre si e, com risco calculado, transformam o problema em pior do que pode ser. Diante do espanto geral, a dificuldade é sanada rapidamente. E o bode deixa a sala de fininho...
          No caso do imbróglio Inter/AG, começou com uma nota oficial da empresa na mídia gaúcha, em um sábado, "pegando todos de surpresa". A direção colorada chegou a dizer que não sabia do conteúdo da nota, apesar de ter ficado comprovado que teve acesso ao documento antes de sua publicação.
          De qualquer forma, no fim das contas, vamos todos pagar a conta da Copa, que terá cerveja liberada nos estádios para atender um dos patrocinadores da Fifa (afinal, quem paga a orquestra escolhe a música....) e feriado nos dias em que o Brasil entrará em campo. Pra frente, Brasil!
          Boa semana, amigos!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Copa no RS fica reduzida a um Gre-Nal... Quem ganha??



         O Rio Grande do Sul é realmente um estado singular. Aqui, como em nenhum outro lugar do Brasil, paixões políticas e clubísticas impedem uma visão do todo, fazendo com que a rivalidade seja colocada à frente dos interesses dos gaúchos.
         Esse posicionamento já nos trouxe inúmeros prejuízos em todas as esferas. Enquanto aqui ficamos lamentando que o Nordeste recebe a maioria das verbas federais, nossos políticos preferem olhar para o próprio umbigo, esquecendo-se do que realmente importa: o Rio Grande.
        Agora, com o imbróglio que o Internacional se meteu na reforma de seu estádio, a disputa clubística voltou à tona. É o Gre-Nal dos estádios, já que em campo os dois clubes assistem Novo Hamburgo e Caxias fazer a final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho.
         Pra completar nossa megalomania – que já começa no nome, aqui tudo é grande... -, pensamos que somos o povo mais politizado, com os políticos e a Justiça mais honestos, como se não fizéssemos parte de um caldo de cultura que forma esse país tão heterogêneo, tão diferente e exótico ao mesmo tempo.
         A Copa está realmente ameaçada não apenas pela falta de assinatura do contrato entre a Andrade Gutierrez e o Inter, mas sobretudo pela falta de empenho de nossas lideranças, a qual já resultou na perda da Copa das Confederações. Enfim, neste episódio vivemos apenas mais um capítulo de nosso dia a dia, sempre envolto em disputas que não levam a nada, mas garantem que muitos sigam lucrando com uma rivalidade insana...
         Boa semana a todos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Presidência da República fica mais distante para José Serra

Dilema tucano: perto da Prefeitura, longe do Planalto

José Serra deu o sinal verde para o PSDB neste final de semana, colocando seu nome à disposição para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Com isso, o ex-governador adia (quem sabe sepulta) o sonho de chegar à Presidência da República pelos próximos seis anos.
Serra elegeu-se prefeito em 2004. Tomou posse no ano seguinte e, em 2006, renunciou para disputar e vencer a eleição para o governo do Estado, enquanto que Geraldo Alckmin concorria a presidente. Agora, se eleito, o tucano não poderá deixar a prefeitura novamente para concorrer ao governo do Estado ou à Presidência, pois ficará muito difícil explicar ao eleitor paulista uma nova desistência para buscar um cargo maior.
Outro agravante é que Alckmin certamente buscará a reeleição, cabendo a Aécio Neves a tarefa de enfrentar o PT na corrida presidencial. Para completar, em 2018 Serra terá 76 anos, ou seja, a idade irá pesar sobre seus ombros, tornando-o um candidato com pouca viabilidade na eleição.
Serra é um dos grandes quadros da política nacional. Júlio Redecker me disse certa vez que o tucano era o homem mais inteligente com quem havia tido contato. Clareza de raciocínio, visão de longo prazo, desenvolvimentista, honesto e competente eram alguns dos adjetivos que Redecker costuma usar para definir José Serra. Contudo, política tem fila. E a vez desse homem fantástico, que lutou contra a ditadura e construiu uma carreira pública brilhante, parece ter passado. Uma pena para o Brasil, e sobretudo para ele próprio.
Boa semana a todos.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney Houston - seu pior inimigo está dentro de você



Bons tempos: jovialidade e alegria


Mais de 400 prêmios, 170 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, dona de uma voz que era considerada patrimônio dos Estados Unidos, Whitney Houston, 48, morreu neste final de semana vítima de afogamento na banheira de um hotel, indicam as primeiras investigações da polícia, que encontrou água nos pulmões da cantora. Um laudo em 30 dias vai apontar se ela havia consumido drogas ou se uma overdose de medicamentos causou sua morte.
Apesar de todo o sucesso, a diva pop padecia de um mal que cada vez mais faz parte da vida de muitas pessoas: a falta de autocontrole, a qual apenas era externada em seu estilo de vida sem regras. Em uma entrevista, Whitney reconheceu que era sua pior inimiga, numa clara demonstração de que tinha plena consciência de seus problemas pessoais.
A cantora, assim como muitos, trocou a saúde pela chamada “busca pela felicidade” – para alguns, reconhecimento e grana. Tendo conquistado isso, a tal felicidade não chega e a droga e o álcool são caminhos que se oferecem fáceis no dia a dia, especialmente no show-biz.
Depois, imaginam poder entregar o dinheiro para voltarem a ter saúde. No caso de Whitney, já era tarde. A diva pop ainda tentava se recuperar das drogas quando buscou um retorno triunfal aos palcos, mas os estragos eram visíveis. Desafinando e sem conseguir chegar às notas mais altas, uma de suas marcas registradas, a estrela precisou cancelar apresentações em 2010.
Aquela que encantou o mundo com sua voz e contribuiu para popularizar a música negra em todo o planeta parecia estar longe da mulher que ganhou o estrelato aos 23 anos com seu primeiro disco.
A depressão profunda causada pelas drogas consumiram-na e a fizeram parte de uma maldição que acompanha as grandes estrelas: talento 100, equilíbrio zero. Como se vê, sem resolver essa equação interna, sucesso e dinheiro nada representam na vida de cada um. Como certa vez disse John Lennon em uma canção, “eu estive em todos os lugares, mas só me encontrei em mim mesmo”...
Boa semana a todos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Privatizações: cai o último dogma do PT



        O governo Dilma enterrou ontem o último dogma do PT na administração pública com a privatização de três aeroportos. O leilão rendeu R$ 24,5 bilhões e permitirá aos vencedores explorarem os terminais por até 30 anos, como foi o caso do aeroporto de Brasília.
Assim, resta muito pouco de ideologia para o partido que teve sua origem no sindicalismo e cresceu com o apoio de intelectuais e funcionários públicos. A crítica feroz ao “modus operandi” dos demais partidos ditos tradicionais ficou no passado.
Desde que Lula chegou à Presidência o PT tem feito tudo que mais abominava, como alianças espúrias, clientelismo e fisiologismo para se manter no poder. Lula perdeu uma chance histórica de varrer da política velhas raposas, como Jader Barbalho e José Sarney. Ao invés disso, preferiu capitular para abafar escândalos de corrupção, cujo ápice foi o Mensalão. Uma pena.
Agora, com a privatização, os petistas reconhecem com décadas de atraso a incompetência do Estado em gerir os terminais aeroportuários e a coisa pública como um todo. Mais do que a morte de velhas bandeiras, a medida é um sinal claro para a sociedade que as obras de modernização da infraestrutura do País precisam partir do setor privado.
A verdade é que Dilma e Lula optaram por seguir em frente, mesmo que isso implique na contrariedade de parte da militância com suas decisões.

Boa semana a todos.
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Onde falta a mão do Estado, a bandidagem agradece

AL da Bahia: policiais acampam há uma semana

A Bahia vive dias de tensão às vésperas do Carnaval, sua maior festa popular e responsável pela visita de milhares de turistas a cada fevereiro, com a greve de policiais militares no Estado. A paralisação provocou uma onda de saques e arrastões e sacudiu a boa terra, deixando um rastro de 84 mortes em seis dias.
É o caos na sua mais absurda versão, pois não estamos em guerra civil, pelo menos declarada. Isso ocorre toda vez que a mão do Estado fraqueja. É neste período que a bandidagem se refestela, agradece e coloca os homens e mulheres de bem contra a parede.
Amotinados na Assembleia Legislativa, os grevistas estão entrincheirados e se recusam a sair da dita casa do povo. O Legislativo, aliás, é sempre o espaço das manifestações e o local mais plural que a sociedade encontra, mesmo com todas as suas mazelas. Pergunto: alguém consegue imaginar todos esses policiais no átrio do Poder Judiciário, por exemplo? Ou acampados durante uma semana na ante-sala de um juiz? Difícil...
Bem, mas o governo baiano pediu ajuda ao governo Federal, que mandou a tropa de elite da PF para prender os grevistas, enquanto o exército patrulha os principais pontos turísticos de Salvador.
Não há como negar que os salários dos PM´s e de todas as forças de segurança são baixos, especialmente de quem faz o enfrentamento ao crime. No entanto, greve de policial sem um mínimo de efetivo nas ruas é um ato de crueldade com a população. Que o bom senso volte à Bahia, e que seja construída uma saída pacífica para esse impasse. Os baianos e o Brasil não merecem isso.
Boa semana a todos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cuba descobre que não há ideologia sem economia pujante

Carros da década de 50 já são marcas de Havana

              Passados mais de 50 anos desde que Fidel Castro e sua trupe derrubaram a ditadura de Fulgêncio Batista, Cuba descobre enfim que não há ideologia que resista a falta de uma economia pujante.
              Desde que a mesada mensal da extinta União Soviética minguou, o País vive dias de agrura. Racionamento é uma palavra presente no dia a dia cubano. As benesses da ilha são para os turistas que despejam dólares na economia e para os privilegiados dirigentes do Partido Comunista.
              O partidão, a propósito, encerrou no final de semana seu primeiro congresso desde 1965, quando aprovou maior abertura no regime comandado por Raúl Castro. O presidente/ditador que herdou a cadeira depois de Fidel se afastar por problemas de saúde, tem implementado mudanças, como a possibilidade de compra e venda de veículos, abertura de pequenos negócios, entre outras medidas para tentar aliviar a tensão social existente em Cuba.
              No fundo no fundo, tudo que o governo cubano tenta fazer é voltar a dar esperança a seu povo. A falta de perspectiva é o maior desafio que os dirigentes têm que enfrentar para salvar a revolução. E esperança se faz com emprego, com negócios, com uma economia forte, e não com palavras. A despeito de toda a retórica, Cuba está diante da crua realidade anunciada por Bill Clinton na campanha que o levou à Casa Branca, em 1992: “It´s the economy, stupid...”. Ou seja, se a economia vai bem, o governo vai bem. Do contrário, discursos soam como palavras vagas que se apresentam dissociadas da realidade...Exatamente como em Cuba nos dias de hoje.
Boa semana a todos.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A campanha já começou: organize-se!


Quem nunca concorreu a algum cargo público tem a impressão equivocada de que a campanha eleitoral acontece somente de julho a outubro. No entanto, o período que antecede o pleito é fundamental para o sucesso da eleição. Neste sentido, os candidatos já podem fazer os primeiros preparativos com vistas ao pleito.
Depois de ter o aval da família – se não tiver o apoio em casa, nem cogite de lançar seu nome a vereador, vice ou a prefeito, pois será impossível fazer campanha sem essa parceria -, comece a reunir a documentação necessária para o registro da candidatura.
Declaração de imposto de renda, por exemplo, é exigência do Tribunal Regional Eleitoral. Em março, inicia o período para ajustar as contas com o leão. Vá organizando os recibos de dedução e a declaração anterior para, assim que abrir o prazo para declarar, ser um dos primeiros a entregar o formulário eletrônico à Receita Federal. Com isso, caso aja algum problema na entrega, ganha-se tempo e agilidade.
Quem tem pendência judicial precisa resolvê-la antes do registro, impreterivelmente. Nestes seis meses que antecedem a eleição, é decisivo que a questão esteja resolvida, sob risco de não poder ser candidato. Outro ponto importante é a organização da vida pessoal e profissional.
É preciso ter em mente que uma campanha é algo caro e que exigirá tempo e dinheiro. Se você está endividado, não conte com a campanha para resolver seus problemas financeiros, pois o apoio é proporcional à viabilidade eleitoral. Aqueles que estão sem mandato largam em desvantagem, pois terão que bancar as despesas iniciais até que apareça algum aporte, seja do partido ou de financiadores.
Com a vida financeira organizada, faça um orçamento de campanha realista. Pense em que bairros precisará atuar para atingir o coeficiente eleitoral necessário para eleger-se, quantas pessoas será preciso contratar – não, ninguém faz campanha de graça....-, veículos necessários, gasolina, almoço, produção de materiais, custos com eventos, anúncios em jornais, carros de som, entre outras despesas. Fez o cálculo? Coloque agora mais 50% desse valor para extras, pois as despesas certamente irão extrapolar seu orçamento inicial.
Outra preparação que as pessoas esquecem é a parte física. Campanha eleitoral exige preparação física de maratonista. São poucas horas para descansar, rotina estafante, corpo a corpo com o eleitor, muita caminhada e stress constante. Ou seja, é preciso estar preparado para enfrentar essa “gincana”. Tudo isso sem ter a certeza de sucesso. E aí? Vai encarar?
Boa semana a todos.