O espelho pode refletir diferentes imagens de nós mesmos
Construir um nome e uma carreira é algo que leva anos. Como um diamante bruto, precisa ser lapidado todos os dias e, mesmo assim, nem sempre o resultado é o desejado.
Nesta caminhada que passa necessariamente pela construção da imagem, muitos políticos tropeçam na tentativa de mostrarem aquilo que não são. É por isso que durante a campanha eleitoral vimos José Serra montado (literalmente) em um jegue no Ceará e com um chapéu de cangaceiro. Tudo para impressionar o eleitor e tentar mostrar para o grande público que ele não era apenas um candidato do Sudeste, mas sim, alguém capaz de ser o presidente de todos os brasileiros, independentemente da região. Deu no que deu....
Há muitos anos, candidatos quando vinham ao Sul corriam para pegar um lenço vermelho e colocar em volta do pescoço. Tudo isso sem deixar de sorver um chimarrão, claro, e afirmar que o mate tava pra lá de especial...
Na verdade, forçar a barra para impressionar o eleitor geralmente soa falso e, diferentemente do que alguns políticos pensam, o povo não é mais bobo – ou tão bobo como outrora.
O fato é que, após consolidada a imagem de uma pessoa – mesmo que ela seja completamente diferente daquilo que o público pense que ela é -, dificilmente esta conseguirá se livrar do estigma ou pecha criados. Por exemplo: as pessoas pensam que Serra tem fama de mal humorado; acredita-se que é de difícil trato no dia a dia. Certa vez José Simão chamou Alckmin de “picolé de chuchu”. O apelido pegou e até hoje o governador de São Paulo é chamado assim por adversários e eleitores, apesar do sucesso em muitas eleições.
O que fazer, então? Quando a imagem se mostra consolidada, o melhor a fazer é procurar descobrir de que maneira se pode tirar proveito da fama conquistada. Mal humorado? Sim, mas talvez o brasileiro esteja buscando alguém capaz de dizer não de vez em quando a um presidente que sempre diga sim. Essa pode ser a construção inicial para uma situação como essa. Afinal, não somos o que somos: somos o que as pessoas pensam que somos. Gostemos ou não...

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